Bleap lança transferências entre o Brasil e a Europa com liquidação em stablecoins

15 Setembro 2026
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Bleap lança transferências entre o Brasil e a Europa com liquidação em stablecoins

A Bleap lançou um novo corredor de transferências entre o Brasil e a Europa que utiliza stablecoins na fase de liquidação transfronteiriça. O serviço permite que brasileiros residentes na Europa transfiram dinheiro do Brasil sem processar a parte internacional da operação através de infraestrutura bancária baseada na SWIFT.

A empresa dirige-se a um segmento do mercado de remessas que tradicionalmente depende de redes de bancos correspondentes. Segundo a Bleap, este modelo pode gerar custos relativamente elevados para transferências individuais de menor valor, especialmente quando várias instituições financeiras participam na cadeia de pagamento.

Stablecoins substituem a liquidação internacional através da SWIFT

Nos pagamentos transfronteiriços tradicionais, um banco num país envia frequentemente instruções de pagamento através da SWIFT para um banco noutro país, enquanto a liquidação ocorre separadamente entre as instituições financeiras envolvidas.

Os prestadores que entram num novo mercado normalmente têm de escolher entre utilizar bancos correspondentes ou criar uma entidade local licenciada. O primeiro modelo reduz a necessidade de construir infraestrutura regulada local, mas pode envolver vários intermediários, custos adicionais e tempos de processamento mais longos.

A Bleap utiliza uma estrutura diferente. As stablecoins são utilizadas na fase de liquidação transfronteiriça, enquanto parceiros locais ficam responsáveis pela conversão para a moeda nacional e pela distribuição dos fundos através dos sistemas de pagamento domésticos.

Pagamentos via PIX podem chegar a uma conta em euros em segundos

No Brasil, os clientes enviam reais através do PIX, o sistema de pagamentos instantâneos do país. A Bleap afirma que o valor equivalente pode ser creditado em segundos na conta Bleap do cliente em euros.

Segundo a empresa, as transferências são processadas à taxa de câmbio média do mercado, sem comissão de transferência e com IOF de 0%, o imposto brasileiro sobre operações financeiras. A infraestrutura baseada em stablecoins funciona em segundo plano e não é visível para o utilizador final.

O modelo utiliza sistemas de pagamento nacionais no início e no final da operação, enquanto as stablecoins são utilizadas para transferir valor entre países. Desta forma, a etapa internacional baseada na SWIFT e em redes de bancos correspondentes é removida do processo.

O serviço faz parte da oferta mais ampla da Bleap

O novo corredor está integrado na oferta de conta financeira da Bleap. A empresa já disponibiliza pagamentos internacionais com cartão sem taxas de câmbio, cashback de até 20%, contas de poupança em USD e produtos de investimento. Também estão previstas contas de poupança em EUR.

O serviço é disponibilizado através de uma conta com IBAN europeu. Os clientes brasileiros podem abrir uma conta utilizando o CPF e um documento de identificação brasileiro, sem necessidade de um visto de residência europeu, desde que concluam as verificações exigidas.

Bleap captou mais de 7,6 milhões de euros

Desde o final de 2024, a Bleap captou mais de 7,6 milhões de euros em duas rondas de financiamento. A empresa começou por obter uma ronda pre-seed de 2,1 milhões de euros liderada pela Ethereal Ventures, seguida de uma ronda seed de 5,5 milhões de euros liderada pela Blossom Capital.

A empresa afirma ter mais de 70.000 utilizadores. A Bleap pretende utilizar o capital para continuar a aumentar a sua base de clientes e lançar novos corredores de transferências baseados no mesmo modelo de liquidação com stablecoins.

Stablecoins ganham espaço na infraestrutura de pagamentos transfronteiriços

O lançamento faz parte de uma evolução mais ampla nos pagamentos internacionais, com empresas fintech a utilizar stablecoins para liquidar operações fora das redes tradicionais de bancos correspondentes. O modelo permite transferir valor entre mercados através de ativos baseados em blockchain, enquanto os clientes continuam a enviar e receber moedas locais através de sistemas de pagamento nacionais.

Prestadores de remessas e neobancos estão a explorar cada vez mais esta abordagem para reduzir custos de liquidação e simplificar transferências internacionais, especialmente em pagamentos de retalho de menor valor.

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